O Príncipe

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O Príncipe

Mensagem por Mestre do Jogo em Ter Ago 30, 2011 5:17 pm

O Príncipe

Desde tempos imemoriais, os vampiros têm seguido as leis de Darwin: somente os mais aptos sobrevivem. Aqueles com o vigor para conquistar o poder e a força para mante-lo governam, e assim tem sido. Os vampiros consideravam a si mesmos como guerreiros e nobres, controlando todos os territórios que fossem capazes de manter, vivendo em uma inquieta trégua com os mortais e seus vizinhos cainitas, e sempre procurando expandir suas propriedades e rebanhos. Nas cidades do mundo antigo, isso com freqüência acabava em desastre, à medida que os vampiros lutavam entre si por riquezas e áreas de caça.

Na noites ancestrais, o vampiro mais forte de cada cidade ou região declarava seu domínio sobre ela e usava quaisquer meios necessários para manter o controle. Com o tempo, as tradições floresceram em torno dessas reivindicações e controles, e certas responsabilidades passaram a ser assumidas por quem detinha o poder, seja através de acordos tácitos ou pelo uso da força. Durante os séculos que se seguiram à Renascença, a Camarilla estabeleceu as regras que definiram esse modelo e forçou o seu cumprimento. Em 1743 um anarquista de Londres publicou um manifesto descrevendo a antiga sociedade dos Membros, quebrando a Máscara de modo bastante extravagante. A Camarilla respondeu rapidamente, primeiro encobrindo o incidente ("Um notável trabalho de ficção fantástica!") e destruindo o anarquista, e a seguir reconhecendo formalmente a posição do príncipe. O cargo ainda é mantido por muitos vampiros nas noites de hoje.

Resumindo, o príncipe é o vampiro que tem poder suficiente para manter o domínio sobre a cidade, codificar as leis e manter a paz. Em geral, este cargo é exercido por um ancião; afinal, quem senão um ancião tem o carisma e o poder necessários para exercer domínio sobre uma metrópole? Em alguns vilarejos, os vampiros mais jovens podem estar aptos a reivindicar o domínio, mas suas reivindicações raramente são respeitadas pelos círculos sociais da cidade. De vez em quando, circunstâncias estranhas colocam vampiros mais jovens em posição de governar cidades, mas poucos desses "novos-ricos" são capazes de sustentar seus títulos quando um ancião aparece.

O título de "príncipe" não passa disso — um título dado para formalizar a função, seja ela exercida por um homem ou por uma mulher. Não existem dinastias de vampiros governando cidades por séculos, nem ascensões hereditárias. As vezes, um príncipe pode ser chamado por títulos mais condizentes com a região que ele governa como "barão", "sultão", "duque" ou, menos formalmente, como "chefão". Os vampiros estudiosos do assunto, que pesquisaram a origem do termo, acreditam que ele tem raízes na Idade das Trevas, quando era usado para identificar os lordes proprietários das terras, e consolidou-se como termo de referência após a publicação de "O Príncipe", de Maquiavel.

O Príncipe não reina sobre a cidade; sua posição se assemelha mais à de um supervisor ou magistrado do que a de um monarca. Ele é o árbitro nas disputas entre os Membros, a autoridade absoluta nas Tradições no que se refere à sua cidade e o defensor da paz. Acima de tudo, o seu interesse é a Máscara e a sua preservação. Se isso significa limpar sua cidade dos Sabás ou simplesmente manter os elementos mais agressivos sob um rígido controle, depende apenas dele. Nem todo príncipe percebe ou se importa que seu poder seja
tão informal; na verdade, alguns exigem ser tratados como reis, mantendo uma "corte" e obrigando que todos os "súditos" que habitam seu domínio compareçam aos pronunciamentos "reais".

Esta arrogância pode inflamar a população, tanto os jovens sem direitos quanto os anciões irritados. Os vampiros que habitam uma cidade não devem ao príncipe nenhum voto de lealdade ou vassalagem. Sua obediência depende de sua covardia, e a maioria dos príncipes faz de tudo para incentivar essa covardia. Se a regra de um príncipe é questionada ou contrariada, ele pode usar a força para manter o controle. No entanto, se não houver força suficiente para resolver o problema, ou se ele se vir sem aliados, seu reinado termina.

A maioria dos vampiros segue à risca os protocolos exigidos pelas Tradições, como um meio de se resguardar, mas têm o hábito de ignorar o príncipe a maior parte do tempo, dando-lhe apenas o mínimo de atenção necessária para não deixar passar algum pronunciamento que lhes diga respeito. De um modo geral, os Membros têm muitos assuntos com que se ocupar além de ouvir seu "líder".

Alguns anciões, como os Inconnu e aqueles que ocupam posições consolidadas (como os justiçares) costumam considerar os pronunciamentos do príncipe divertidos ou arrogantes, nada além de fanfarronice de um jovem ainda impressionado com a ostentação do poder. No fim das contas, no entanto, o príncipe não é alguém que se deva contrariar. Que com certeza possui um vasto pod e r temporal para ter alcançado e mantido sua posição. Ele não apenas dirige os negócios dos Membros da cidade, como costuma ter uma boa dose de influência nos assuntos dos mortais. A polícia, o corpo de bombeiros, construtoras, hospitais e o gabinete do prefeito — são todos extremamente úteis para destruir seus inimigos ou assegurar sua autoridade numa determinada esfera de influência. Se o príncipe deseja esmagar uma gangue de anarquistas, ele pode fazer com que uma construtora seja enviada com seus tratores para demolir seus refúgios durante o dia. Um caçador de vampiros da Igreja que esteja agindo a partir da Catedral local, pode receber um telefonema do escritório do prefeito suspendendo a isenção de impostos de sua igreja. Essa influência geralmente chama a atenção daqueles que porventura estivessem inclinados a fazer pouco caso do príncipe.

É uma grande bobagem irritar alguém que pode condenar seu refúgio através da comissão de zoneamento ou ter seu telefone cortado "acidentalmente" ao mesmo tempo em que começam as obras para instalar um novo duto de gás bem na sua rua.
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